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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

05 de Novembro - Circula o Primeiro Jornal Protestante do País


          Ashbel Green Simonton, auxiliado pelo colega e cunhado Alexander Latimer Blackford e pelo novo correligionário Conceição, lançou o jornal Imprensa Evangélica. Até onde se sabe, a Imprensa, que circulou durante 28 anos (1864-1892), foi o primeiro periódico protestante do Brasil, pelo menos o primeiro em língua portuguesa. Os originais do número inicial foram levados à Tipografia Universal dos Irmãos Laemmert no dia 25 de outubro de 1864, sendo publicados em 5 de novembro, com uma tiragem de 450 exemplares. Devido a ameaças sofridas por esses editores protestantes, a partir do segundo número o jornal passou a ser impresso pela Tipografia Perseverança. Projetado inicialmente como um semanário, acabou sendo publicado duas vezes por mês. Simonton registrou em seu diário no dia 26 de outubro: 


          Ontem de manhã, Santos Neves e Quintana vieram até nossa casa receber os originais do primeiro número da Imprensa Evangélica, o jornal semanal que resolvemos publicar. Sinto mais a responsabilidade deste passo que de qualquer outra coisa que antes intentei. Primeiro nos ajoelhamos em oração e entregamos essa iniciativa e nós mesmos à direção divina. O caminho parece estar preparado e só nos resta avançar com ousadia.

          O jornal era subvencionado pela missão norte-americana, sediada em Nova York. Em outubro de 1879 a redação foi transferida para São Paulo e os jovens pastores nacionais passaram a colaborar com artigos assinados. Entre eles estavam Zacarias de Miranda, Eduardo Carlos Pereira, Antônio Pedro de Cerqueira Leite e João Ribeiro de Carvalho Braga. O periódico voltou para o Rio de Janeiro em outubro de 1889 e novamente para São Paulo em maio de 1891, ali encerrando a sua carreira no ano seguinte. Seu conteúdo era rico e variado: exposição de doutrinas e temas bíblicos, séries de matérias (história da igreja, documentos da fé reformada), biografias, ficção evangélica, noticiário religioso internacional e intermináveis polêmicas com o catolicismo romano (especialmente com o jornal O Apóstolo, do bispado do Rio de Janeiro). Apresentava poucas, porém valiosas informações sobre eventos internos da igreja presbiteriana. Denunciava perseguições e apoiava a causa da liberdade religiosa. Em suma, foi o grande órgão do protestantismo brasileiro nos seus primórdios. Segundo Boanerges Ribeiro, o jornal colocou os presbiterianos em contato com as elites nacionais e ao mesmo tempo foi o grande integrador da jovem denominação religiosa. Numa época em que havia poucos pregadores, principalmente no interior, o periódico instruía, edificava e incentivava as pequenas comunidades. Era comum, em muitos lugares isolados, o dirigente leigo ler para a congregação os sermões e estudos da Imprensa durante as reuniões. Em Ubatuba, a igreja nasceu como resultado da sua leitura, antes da chegada dos primeiros pregadores.


Alderi Souza de Matos, historiador da IPB.

Conheça mais sobre a imprensa evangélica no País em: http://mackenzie.br/10982.98.html

sábado, 10 de março de 2012

10 de Março - Primeiro Culto Protestante no Brasil

          Há exatos 464 anos atrás, num lugar denominado França Antártica, a baia de Guanabara ou ainda, o nosso saudoso Rio de Janeiro, realizou-se pela primeira vez no novo mundo um culto protestante. E cabe aos Presbiterianos a honra de terem realizado o primeiro culto evangélico, não apenas do Brasil, mas de toda a América.


          Nas primeiras décadas após o achamento do Brasil pelos portuguese, os franceses, atraídos pela vasta quantidade de terras, decidiram fundar uma colônia, a qual denominaram França Antártica, hoje, baia de Guanabara. No ano de 1555, os franceses chegaram aqui e foram bem recebidos pelos índios tupinambas. Dessa forma estabeleceram a colônia.


          No ano de 1556, o francês Durand de Villegaignon, escreveu para a Igreja Reformada de Genebra solicitando a vinda de Pastores e colonos evangélicos para a elevação da moralidade e espiritualidade na colônia. João Calvino e seus colegas designaram os pastores Pierre Richier (50 anos) e Guillaume Chartier (30 anos), para iniciarem os trabalhos na colônia. Após o embarque dos colonos e dos pastores no dia 19 de novembro de 1556, os viajantes chegaram ao Brasil, na baia de Guanabara, no dia 7 de março de 1557 e desembarcaram no país no dia 10 de março. Neste dia realizou-se o primeiro culto protestante, que deu-se da seguinte maneira:


          O desembarque no forte Coligny deu-se no dia 10 de março, uma quarta-feira. O vice-almirante recebeu o grupo afetuosamente e demonstrou alegria porque vinham estabelecer uma igreja reformada. Logo em seguida, reunidos todos em uma pequena sala no centro da ilha, foi realizado um culto de ação de graças, o primeiro culto protestante ocorrido nas Américas, o Novo Mundo.

          O ministro Richier orou invocando a Deus. Em seguida foi cantado em uníssono, segundo o costume de Genebra, o Salmo 5: “Dá ouvidos, Senhor, às minhas palavras”. Esse hino constava do Saltério Huguenote, com metrificação de Clement Marot e melodia de Louis Bourgeois, e até hoje se mantém nos hinários franceses. Bourgeois foi diretor de música da Igreja de Genebra de 1545 a 1557 e um dos grandes mestres da música francesa no século 16. A versão mais conhecida em português (“À minha voz, ó Deus, atende”) tem música de Claude Goudimel (†1572) e metrificação do Rev. Manoel da Silveira Porto Filho. (hino n° 122 do Hinário Novo Cântico, hinário Presbiteriano)

          Em seguida, o pastor Richier pregou um sermão com base no Salmo 27:4: “Uma coisa peço ao Senhor e a buscarei: que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo”. Após o culto, os huguenotes tiveram sua primeira refeição brasileira: farinha de mandioca, peixe moqueado e raízes assadas no borralho. Dormiram em redes, à maneira indígena. A Santa Ceia segundo o rito reformado foi celebrada pela primeira vez no domingo 21 de março de 1557.

Adaptado do texto do historiador da IPB, Alderi Souza de Matos.