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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A QUESTÃO LITÚRGICA DA IPB


São Paulo, 01 de Agosto de 2013.

Preparando uma apresentação sobre os 154 anos da Igreja Presbiteriana Brasil, deparei-me com a seguinte frase na pág. 23 da Bíblia Sagrada – Edição Histórica, lançada na comemoração do sesquicentenário da IPB, na seção que conta sobre os anos recentes da igreja:

“A igreja sofre o impacto de novos movimentos que têm afetado o protestantismo brasileiro, especialmente nas áreas doutrinária e litúrgica. Muitos pastores e comunidades se sentem atraídos por conceitos e práticas alheios à tradição reformada”.

Então percebi que o problema que enfrentávamos em minha Congregação na equipe de louvor era muito mais profundo do que “tradicionalismo” ou “modernismo”, nosso problema era litúrgico-doutrinário. E este problema não era apenas nosso, mas um desafio presente em toda a Igreja Presbiteriana do Brasil na atualidade. Em minha opinião, a questão litúrgica da IPB vai muito além do que já foi abordado na “Carta Pastoral e Teológica sobre Liturgia da IPB”, que desenvolveu o assunto em questão (palmas, aplausos, danças litúrgicas e coreografia, teatro, participação de corais, oração de mulheres durante o culto e salmodia exclusiva) com primor e didática para todos entenderem as questões ali colocadas e suas consequências na vida da igreja. No entanto é preciso tratar o básico da questão litúrgica da IPB, ensinar a todos o que é liturgia, o que é o culto, especialmente aos jovens que fazem parte da equipe que auxilia na condução do culto. Precisamos entender que liturgia é um serviço, nosso serviço como comunidade. Portanto liturgia não é uma parte do culto, mas é o culto. Culto este que TODOS devem prestar a Deus, não apenas os pastores ou os músicos, mas toda a assembleia ali reunida. Precisamos entender que o culto público se distingue do culto que é a nossa vida e do culto familiar. O culto em assembleia é diferente desses outros cultos, sendo resultado desses. No culto público somos enviados ao mundo para viver os outros dois, os quais nos levam de volta ao culto público. É um sistema de culto cíclico, no qual vamos à assembleia responder a Deus com louvor e adoração por tudo o que Ele tem feito por nós. Ao final deste, somos enviados para viver de maneira que agrade a Deus sendo suas testemunhas (culto pessoal, vida), e como ministros de nossos lares, ensinar nossa família a adorar a Deus, especialmente os filhos (culto familiar).
Depois de tomarmos essa breve consciência sobre o que é liturgia, precisamos dar o próximo passo, os modelos litúrgicos. Na Bíblia não encontraremos nenhum, mas encontramos nela os elementos de culto, a saber: oração, leitura da palavra, música e sacramentos. A partir destes elementos básicos para que uma reunião seja considerada um culto público, os cristãos desenvolveram modelos litúrgicos de adoração a Deus. Um dos mais antigos é o que divide o serviço de culto em duas partes: A liturgia dos catecúmenos e a liturgia dos fies. Na primeira há espaço para os seguintes atos: acolhida, confissão, penitência/contrição, absolvição e exposição da palavra, leitura de textos do Antigo e Novo Testamentos, com o objetivo de mostrar a harmonia da Palavra de Deus. Entre esses atos litúrgicos há cânticos apropriados. Depois, na chamada liturgia dos fiéis, há a ministração dos sacramentos, principalmente a Ceia do Senhor, após esta o povo de Deus é enviado a ser testemunha de Cristo na terra, vivendo para glorificar a Deus. Esse modelo litúrgico permaneceu na Igreja Cristã por séculos, claro que elementos estranhos foram adicionados, no entanto a estrutura básica do culto permaneceu a mesma. Na reforma, os homens iluminados por Deus, ao longo do processo reformador, foram retirando os elementos estranhos e retornando a um modelo simplificado como o da Igreja Primitiva. É bem verdade que não deixaram para nós “o modelo perfeito”, reconhecendo, como João Calvino, que precisávamos desenvolver esse modelo, já que a época de suas vidas foram breves demais para tratar de todas as demandas levantadas durante o século XVI. É verdade também que as várias famílias protestantes tomaram rumos distintos quanto aos ritos de adoração. No entanto a visão de ruptura com os modelos litúrgicos toma forma com a reforma, primeiro com os adeptos da “reforma radical”, e depois com os separatistas da Igreja da Inglaterra (batistas e congregacionais). Com os avivamentos ocorridos nos EUA e o surgimento do pentecostalismo, chegamos ao estado de hoje, falando de forma brevíssima. A idéia de informalidade, que está ligada à pós-modernidade, e a ênfase nos sentimentos e na música, são alguns dos motivos que nos levaram ao estado atual. A falta de ensino acerca da liturgia é o fator pelo qual grupos tradicionais passaram a adotar práticas carismáticas e pentecostais em seus serviços de culto, pois por mais que sejam atraentes, são distintos da história litúrgica e da racionalidade e espiritualidade verídica presentes na liturgia cristã. A ordem racional de chamar o homem ao arrependimento, doutriná-lo através da palavra e chamá-lo a partilhar o Corpo de Cristo, sendo dele testemunha na Terra, é abandonada no sistema de culto centralizado nas emoções humanas. Neste culto antropocêntrico, nasce o “momento de louvor”,               que se tornou o centro destas celebrações. Os cânticos entoados já não levam mais em conta o momento em que estão sendo entoados, mas vêm em bloco, como a “hora da alegria”. Muitas vezes não há chamada ao arrependimento, e o tempo destinado à Palavra é diminuído.
Certo, me estendi muito e nem todos estão nesta situação, mas só o fato da falta de identidade cúltica numa igreja confessional é de nos deixar alerta. Algumas coisas chamam a minha atenção além da falta de compreensão litúrgica e doutrinária. O tal “momento de louvor” tomou conta de muitas congregações. Neste momento não se dá muita atenção à temática do culto ou a sua progressão. Às vezes se escolhem músicas por sua “musicalidade”, seu ritmo; alguns preferem mesclar, ora as animadas, ora as mais tranquilas, ora as “espirituais” (não deveriam ser todas?), ora os hinos tradicionais (dos quais se conhecem poucos, e por isso são sempre os mesmos), etc. Além de ser uma incoerência com a confessionalidade da igreja, é também uma incoerência bíblica, por não valorizar os aspectos racionais e espirituais-verídicos do culto a Deus, e a riqueza da música de adoração, na qual temos salmos, hinos e cânticos, dando-se preferência a uma categoria e desvalorizando a outra. Como a questão musical se tornou tão evidente nessa questão litúrgica da IPB, falarei agora deste assunto.
Salmos – Enquanto há os que defendem a salmodia exclusiva (baseando-se na tradição reformada/puritana de adoração), e esforçam-se a traduzir ou metrificar um Saltério Brasileiro, a maioria dos membros da IPB desconhece por completo o canto metrificado dos salmos, característica das Igrejas Reformadas. De todos os 400 hinos de nosso Hinário Novo Cântico, apenas DOIS, isso mesmo, 2 hinos são salmos genebrinos (Sl 5-122 e Sl 42-118), além de 13 outros que são salmos metrificados ou baseados em salmos (Sl 1-175; Sl 19-022; Sl 23-142/143/151; Sl 32-77; Sl 51-76; Sl 103-29; Sl 121-139; Sl 133-182; Sl 136-34; Sl 139-152; Sl 147.17-18-001). Não defendo a salmodia exclusiva, pois ela também é incoerente com o Novo Testamento que menciona os “hinos, salmos e cânticos espirituais”, no entanto defendo o canto metrificado dos salmos durante o culto, pois na liturgia cristã tradicional, durante a liturgia da palavra, é lida uma passagem do Antigo Testamento, após esta SE CANTA um salmo, depois se lê uma passagem do Novo Testamento, que é chamada “segunda leitura”, já que salmos são músicas e devem ser CANTADOS. Depois dessa leitura é proclamado o Evangelho, a palavra da salvação. A importância dos salmos cantados na igreja é necessária, pois o livro de Salmos, o Saltério, é antes de tudo o nosso padrão de hinário. Quando não cantamos os salmos, estamos descaracterizando o Saltério Divino, que traz músicas em suas páginas e não textos históricos, ou prosas ou profecias, mas poesias feitas para serem cantadas. Na liturgia cristã histórica há espaço para eles. No entanto é preciso haver um esforço denominacional para produzir um saltério em português, que trouxesse melodias genebrinas, características da tradição reformada e também brasileiras.
Hinos – Nosso tardio Hinário Novo Cântico, que somente tomou forma em 1981, antes dele era comum o uso do Hinário Salmos e Hinos, o primeiro hinário evangélico do Brasil e o Hinário Evangélico, organizado pela extinta Confederação Evangélica do Brasil – CEB, que se tornou o hinário oficial dos metodistas, principais entusiastas desse cancioneiro, entre outros como o Cantor Cristão, etc.
A data tardia da organização de nosso hinário explica por que ele é tão desconhecido por nós mesmos. Mesmo em comunidades que cantam exclusivamente hinos, o HNC não é utilizado em sua totalidade, pois isso requer que a igreja tenha um modelo litúrgico o mais próximo da liturgia cristã tradicional e use o calendário litúrgico, elemento bem raro entre os protestantes brasileiros, que explica a falta de familiaridade com a liturgia cristã histórica e com festas importantes da igreja, como a de Pentecostes e a da Ascensão. Assim, mesmo nas igrejas que utilizam o hinário, são cantados basicamente os mesmos hinos e não todos os hinos. Nosso hinário traz preciosidades cristãs como o hino n° 020, uma versão do Te Deum, o n° 005, o Gloria Patri, o n° 006, a mais famosa melodia dos salmos metrificados de genebra (porém não com a letra do salmo 134), melodia conhecida como “Old 100th”, entre outros. Muitas das letras são antiquíssimas, algumas do século II e muitas melodias são obras primas da música de toda a humanidade, tanto de compositores internacionais como de nacionais. Além da falta de familiaridade com o HNC, há a crescente rejeição por parte dos jovens dos hinos tradicionais, que caracterizaram os protestantes desde os primórdios, pois devolveram ao povo o papel de cantar durante os cultos a Deus. Essa rejeição por parte dos jovens se dá pela entrada da música contemporânea na igreja, pelo “movimento gospel” e alguns posicionamentos extremos por parte de alguns como “hinos só devem ser tocados no piano”. Esses fatores têm levado os jovens cada vez mais longe do HNC, restringindo o conhecimento deles ao “Hino da Mocidade”. Não se trata apenas de conhecimento, mas nas reuniões e cultos realizados pelos jovens não há a presença de hinos, exceto o hino já citado acima. A falta de doutrinação nesse caso impede os jovens de reconhecerem a riqueza e confessionalidade do HNC, pois se concentram apenas nas melodias atípicas ao nosso tempo, deixando de lado sua utilidade e apropriação para cada ato litúrgico e data cristã que a igreja deveria celebrar.
Cânticos Contemporâneos – Cada vez mais presentes na liturgia das igrejas presbiterianas, os cânticos trazem boas e péssimas contribuições aos cultos da IPB. Muitos deles, especialmente os oriundos do “movimento gospel” trazem consigo conceitos e doutrinas estranhas ao ensino bíblico e à fé reformada. Às vezes uma igreja ensina seus membros corretamente durante a Escola Bíblica, sermão e estudos bíblicos, mas, muitas vezes sem perceber, pela falta de conhecimento litúrgico, acabam cantando coisas totalmente contrárias aos seus ensinamentos. A inclusão dos cânticos contemporâneos na liturgia da IPB é válida desde que sejam adequados às doutrinas da igreja. São bem-vindos, pois trazem novidade de todo o som que Deus inspirou o homem a criar, no entanto precisam se enquadrar corretamente na liturgia, que precisa ser mais concisa ao padrão reformado, rejeitando o “momento de louvor” que a inclusão dos cânticos criaram e voltando ao padrão racional da liturgia cristã (arrependimento, confissão, perdão, adoração, doutrinação, comunhão, envio). Assim, todo cântico contemporâneo, com discernimento e sabedoria, tem espaço na liturgia cristã histórica. Devem eles se encaixar nos atos litúrgicos e não roubar a cena como o centro do culto.
Após tratar da questão musical, falarei agora sobre o calendário litúrgico e o lecionário e a ausência de um manual litúrgico como, por exemplo, o Livro Comum de Oração, da tradição anglicana. Há é claro o Manual para o Culto Público, mas falta a ele explicação doutrinária de cada ato litúrgico proposto. Precisamos de um material altamente instrutivo, não apenas para os ministros, mas também para seus ajudantes músicos e toda comunidade. Neste ponto é importante deixar claro que os regionalismos devem ser respeitados e mantidos, no entanto um “esqueleto” comum de liturgia poderia ser utilizado por todos. Pelo menos aos que desejam uma orientação e não encontram um material denominacional apropriado.
O Calendário Litúrgico – Precioso manual de culto, leva a igreja a adorar a Deus pela vida de Cristo, revivendo cada momento, tirando de cada etapa uma lição preciosa para o Corpo de Jesus, a Igreja que é chamada a viver como Ele. Se bem utilizado produz vida à Igreja, quando não, engessa o culto, como argumentam alguns. O problema não está no calendário litúrgico, mas na falta de doutrina litúrgica quanto a seu uso. Advento, Natal, Epifania, Transfiguração, Quaresma, Páscoa, Ascensão, Pentecostes, Missão da Igreja e Segunda Vinda. Esses são os temas do calendário cristão, uma forma de a Igreja contar os dias a partir da vida de Cristo, que não vive sob as datas comemorativas desse tempo apenas, mas celebra e busca viver como Jesus viveu.  Cada domingo reserva-nos uma lição preciosa, cada domingo avança para cada festa maior, assim não nos deparamos com “nossa! Semana que vêm é páscoa!”, mas somos levados a ela, preparando-nos para desfrutar de cada ensino. Durante o chamado “Tempo Comum” (dividido entre o Natal e a Quaresma e entre o Pentecostes e o Advento), o pastor tem maior liberdade para tratar de outros assuntos relacionados à vida da igreja.
A falta de familiaridade dos protestantes brasileiros com o calendário litúrgico é mais uma porta para que os ensinos e práticas estranhas à nossa tradição reformada adentrem a igreja.
Lecionário – Um livro de leituras bíblicas para cada domingo do calendário cristão que visa harmonizar a Palavra de Deus, trazendo quatro passagens bíblicas que tratam do mesmo assunto. Geralmente uma do AT, outra do NT, entre as duas um salmo ou cântico bíblico para ser cantado e por fim uma passagem do Evangelho, que é a palavra da salvação. O Lecionário, se não para guiar os sermões, deveria no mínimo ser utilizado para doutrinar a igreja e direcionar a liturgia. É fundamental para a escolha coerente do que deve ser cantado e quando. Utilizando-o é possível conhecer o hinário por completo e também cantar os salmos durante o culto, bem como adequar os cânticos aos atos e ocasiões propícias.
Manual de Culto – Um bom Manual de Culto, que visasse a doutrinação litúrgica de toda a IPB, seria fundamental para direcionarmos nossa denominação a um caminho mais confessional e de acordo com a tradição reformada. Seria importante que esse manual explicasse cada ato litúrgico proposto como num catecismo, e que mostrasse que é possível mesclar hinos, cânticos contemporâneos e salmos, num modelo de culto cristão histórico e atual, aplicável as várias realidades dos presbiterianos brasileiros, respeitando os regionalismos e a tradição reformada. Creio que este é um bom caminho para trabalhar esse desafio.
Preciosidades Perdidas – A falta de familiaridade com esses elementos, fez com que os cultos protestantes no Brasil perdessem preciosidades como a Oração Dominical, feita por toda a igreja, e a profissão de Fé utilizando-se dos Credos Apostólico, Niceno-Constantinopolitano e mais raramente, no domingo de Pentecostes, o Atanasiano. Além dos salmos metrificados já citados nesta exposição.
Todo o assunto foi abordado de maneira breve, no entanto acredito que para resolver a questão litúrgica da IPB é necessário um trabalho de conscientização litúrgica e doutrinária acerca do culto, que ultrapasse a questão das práticas, indo desde as raízes da liturgia até as práticas que foram absorvidas dos carismáticos e pentecostais. Creio que deveria haver um programa de rádio ou blog, canal no YouTube, etc. para tratar da liturgia dominical, dando instruções àqueles que participarão da condução do culto. Dever-se-ia investir na criação de materiais didáticos e profundos sobre a questão, que sirvam para os leigos e oficiais, um trabalho que alcance os seminários e escolas bíblicas e seja capaz de, ao menos, doutrinar-nos acerca desse tema, que pode parecer grego para muitos dos membros da IPB.

William de Almeida Santos,

Leigo, 21 anos, estudante de Comunicação, professor de EBD numa Congregação Presbiteriana em São Paulo.

domingo, 26 de maio de 2013

Domingo da Santíssima Trindade


Hoje é celebrado pela Igreja Cristã a contemplação do mistério da Santíssima Trindade. Não é um Domingo diferente dos outros, pois a cada Dia do Senhor adoramos a Santíssima Trindade, louvamos o Pai, pelo Filho no Espírito Santo. No entanto, neste Domingo contemplamos esse mistério da Fé, que tando intrigou o homem ao longo da história.

Nosso Deus é um Ser único, nenhuma criatura pode se comparar a Ele, pois todas foram criadas, no entanto, o nosso eterno e verdadeiro Deus sempre existiu. Não há divindade criada pelos homens que se compare a Ele, dessa forma Ele é único, porque subsiste em Três Pessoas, e contudo não são três deuses que existem, mas um Único e Trino Deus.

Nossas mentes finitas são chamadas a contemplar esse Deus tremendo que vive em plena comunhão consigo mesmo, pois desde de os tempos eternos Ele é o Pai, e o Filho e o Espírito Santo.

No processo revelacional, de maneira clara, Deus se manifesta para nós na seguinte ordem: Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, sendo o Pai o Criador de toda a vida, o Filho o Redentor de toda a carne e o Espírito Santo o Santificador de todo o remido pelo sangue do Cordeiro enviado pelo Pai. Por isso adoramos o Pai, pelo Filho no Espírito Santo, pois para adorar a esse Deus Uno e Trino, é preciso adorá-lo em espírito e em verdade.

Este grande mistério da fé, o qual compreendemos como um reflexo, cujo pleno entendimento será nos dado quando nos tornarmos incorruptíveis como Jesus e adentramos no Reino dos Céus, é para nós exemplo da Majestade de nosso Deus e seu amor por nós, por nos criar, redimir e santificar. Ele trabalha por amor a nós, para a Sua própria Glória, sendo um Deus de perto e não de longe. Todas as Três Pessoas estão perto de nós, pois não são três deuses, mas Um Só. Somos habitados pelo Espírito Santo de Deus, fazemos parte do Corpo de Cristo, que é o Cabeça e o qual é um só com o Pai. Assim temos nosso Deus Uno e Trino sendo adorado em nossas vidas, não distante, nem dicotomicamente, mas único como só Ele é e assim se define, EU SOU.

Contemplemos esse grande Deus através do que nos foi revelado e vivamos para esse Deus que nos ajuda a viver em comunidade, pelos frutos do Espírito que são dados para manutenção do Corpo de Cristo, que adora o Pai obedecendo sua Palavra.

Que o Deus Uno e Trino nos inspire a viver no dom de seu Amor que é a essência de seu Ser! Amém.

William de Almeida Santos

CREDO ATANASIANO

ORIGEM

O Credo de Atanásio, subscrito pelos três principais ramos da Igreja Cristã, é geralmente atribuído a Atanásio, Bispo de Alexandria (século IV), mas estudiosos do assunto conferem a ele data posterior (século V).  Sua forma final teria sido alcançada apenas no século VIII. O texto grego mais antigo deste credo provém de um sermão de Cesário, no início do século VI.
O credo de Atanasio, com quarenta artigos, é um tanto longo para um credo, mas é considerado �um majestoso e único monumento da fé imutável de toda a igreja quanto aos grandes mistérios da divindade, da Trindade de pessoas em um só Deus e da dualidade de naturezas de um único Cristo.� [1]

TEXTO

1. Todo aquele que quiser ser salvo, é necessário acima de tudo, que sustente a fé universal. [2] 2. A qual, a menos que cada um preserve perfeita e inviolável, certamente perecerá para sempre. 3. Mas a fé universal é esta, que adoremos um único Deus em Trindade, e a Trindade em unidade. 4. Não confundindo as pessoas, nem dividindo a substância. 5. Porque a pessoa do Pai é uma, a do Filho é outra, e a do Espírito Santo outra. 6. Mas no Pai, no Filho e no Espírito Santo há uma mesma divindade, igual em glória e co-eterna majestade. 7. O que o Pai é, o mesmo é o Filho, e o Espírito Santo. 8. O Pai é não criado, o Filho é não criado, o Espírito Santo é não criado. 9. O Pai é ilimitado, o Filho é ilimitado, o Espírito Santo é ilimitado. 10. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno. 11. Contudo, não há três eternos, mas um eterno. 12. Portanto não há três (seres) não criados, nem três ilimitados, mas um não criado e um ilimitado. 13. Do mesmo modo, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente. 14. Contudo, não há três onipotentes, mas um só onipotente. 15. Assim, o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus. 16. Contudo, não há três Deuses, mas um só Deus. 17. Portanto o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, e o Espírito Santo é Senhor. 18. Contudo, não há três Senhores, mas um só Senhor. 19. Porque, assim como compelidos pela verdade cristã a confessar cada pessoa separadamente como Deus e Senhor; assim também somos proibidos pela religião universal de dizer que há três Deuses ou Senhores. 20. O Pai não foi feito de ninguém, nem criado, nem gerado. 21. O Filho procede do Pai somente, nem feito, nem criado, mas gerado. 22. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho, não feito, nem criado, nem gerado, mas procedente. 23. Portanto, há um só Pai, não três Pais, um Filho, não três Filhos, um Espírito Santo, não três Espíritos Santos. 24. E nessa Trindade nenhum é primeiro ou último, nenhum é maior ou menor. 25. Mas todas as três pessoas co-eternas são co-iguais entre si; de modo que em tudo o que foi dito acima, tanto a unidade em trindade, como a trindade em unidade deve ser cultuada. 26. Logo, todo aquele que quiser ser salvo deve pensar desse modo com relação à Trindade. 27. Mas também é necessário para a salvação eterna, que se creia fielmente na encarnação do nosso Senhor Jesus Cristo. 28. É, portanto, fé verdadeira, que creiamos e confessemos que nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é tanto Deus como homem. 29. Ele é Deus eternamente gerado da substância do Pai; homem nascido no tempo da substância da sua mãe. 30. Perfeito Deus, perfeito homem, subsistindo de uma alma racional e carne humana. 31. Igual ao Pai com relação à sua divindade, menor do que o Pai com relação à sua humanidade. 32. O qual, embora seja Deus e homem, não é dois mas um só Cristo. 33. Mas um, não pela conversão da sua divindade em carne, mas por sua divindade haver assumido sua humanidade. 34. Um, não, de modo algum, pela confusão de substância, mas pela unidade de pessoa. 35. Pois assim como uma alma racional e carne constituem um só homem, assim Deus e homem constituem um só Cristo. 36. O qual sofreu por nossa salvação, desceu ao Hades, ressuscitou dos mortos ao terceiro dia. 37. Ascendeu ao céu, sentou à direita de Deus Pai onipotente, de onde virá para julgar os vivos e os mortos. 38. Em cuja vinda, todo homem ressuscitará com seus corpos, e prestarão conta de sua obras. 39. E aqueles que houverem feito o bem irão para a vida eterna; aqueles que houverem feito o mal, para o fogo eterno. 40. Esta é a fé Universal, a qual a não ser que um homem creia firmemente nela, não pode ser salvo. [3]

NOTAS
Extraído de Paulo Anglada, Sola Scriptura : A Doutrina Reformada das Escrituras (São Paulo: Os Puritanos, 1998), 180-82.
[1] A. A. Hodge, The Confession of Faith ( Edinburgh & Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1992 ), 7.
[2] O termo universal traduz a palavra católica , a qual também poderia ser traduzida por geral .
[3] Traduzido a partir do inglês de A. A. Hodge, Outlines of Theology ( Edinburgh, & Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1991), 117-118.


domingo, 19 de maio de 2013

Domingo de Pentecostes


Hoje é Domingo de Pentecostes, uma data importantíssima para a Igreja Cristã comemorada por toda a cristandade desde a muito tempo. A celebração de hoje pode ser considerada o aniversário da Igreja, pois foi no derramamento do Espírito Santo de Deus, o Pneuma (sopro no Grego), que o Corpo de Jesus tomou forma. Não havia mais barreiras entre Judeus e Gentios, mas todo aquele escolhido por Deus receberia seu Espírito Santo, tornando-se o próprio Templo onde Deus habita. A essa comunidade de santos, isto é, separados, foi dado o nome de Igreja, uma instituição Divina que recebeu o poder do Espírito Santo para proclamar a Palavra da Salvação a todo o mundo.

Dentro desse Corpo, cada membro é agraciado com dons para o serviço e funcionamento da Igreja, cada um é importante para que a presença de Jesus se faça real neste mundo. A relação da Igreja, o Corpo e de Cristo, o Cabeça, é uma relação de amor e cuidado, um relacionamento profundo, o qual o Apóstolo Paulo diz para que se espelhasse o casamento. 

De todos os cantos do planeta, todos os povos, de todas as línguas, das mais variadas culturas, homens, mulheres, crianças, de todas as cores e etnias, ricos e pobres, entre as denominações, existe um povo chamado Igreja. Entre esse povo não há barreiras, pois é o Espírito que os une. E através do nome que carregam, os Cristãos fazem a diferença neste mundo liderados pelo Rei dos reis e Senhor dos senhores, promovendo a salvação e regeneração de vidas pelo poder do Espírito Santo que convence o homem do pecado e o faz crer na obra expiadora de Jesus Cristo, o Filho de Deus.

Após serem redimidos pelo sangue de Jesus, Ele junto do Pai envia o Espírito Santo, o próprio Deus para fazer morada corações humanos. Este Espírito que estava confiado a profetas e sacerdotes, cuja a habitação era parcial, hoje faz morada em corações de homens e mulheres simples que foram regenerados pelo Cordeiro. 

Esta é uma época de graça sem tamanho, Deus age revelando sua Palavra, demonstrando amor e fazendo morada na vida do homem. Ser Igreja é um privilégio que muitos não compreendem, pois estão presos às quatro paredes que os cercam. Mas quanto toma-se consciência da grandeza desse corpo universal, que une tantas pessoas de diferentes épocas e culturas, somos levados a repensar nosso papel no mundo. 

Pentecostes, data de festa e alegria, o início de uma jornada que levou a salvação aos confins da Terra, derramando dons, consolo, paz, verdade e vida para todo o que nasce da água e do Espírito. Que a Igreja mantenha essa chama acesa durante toda sua existência e viva pelo poder e luz do Espírito Santo de Deus. Adorando o único e verdadeiro Deus Trino, que revela-se na pessoa do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém, feliz dia de Pentecostes! 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A Ascensão do Senhor

Créditos ao autor da imagem.
A subida de Cristo aos braços do Pai em sua mesma carne glorificada, é um fato pouco lembrado na Igreja Evangélica em geral. Do ministério de Jesus, nos atemos ao seu nascimento, sua vida, paixão, morte, ressurreição e segunda vinda. No entanto, a Ascensão e o Pentecostes são as vezes esquecidos pela Igreja Brasileira como marcos comemorativos e doutrinários.

Esse fato único no ministério de Jesus é um momento de glorificação e exaltação daquele que tanto sofreu e foi humilhado na Paixão, pendurado no madeiro e fazendo-se maldito por amor a nós. É um momento de união entre o temporal e o eterno, o terreno e o celeste. A partir desse momento nos unimos à multidão de anjos e santos no Reino de Jesus. A humanidade glorificada do Filho foi além dos céus visíveis direto para a morada do Pai, o local que Jesus disse ir preparar estadia para nós.

A ascensão de Jesus é o ponto inicial de seu Reino triunfante à destra de Deus-Pai Todo Poderoso. Não é um Reino que devemos esperar para o futuro, mas que iniciou-se na Ascensão de Jesus, o Filho de Deus ao Céus. Este Reino real e contemporâneo, onde os santos reinam ao lado do Cordeiro no Céu e a Igreja manifesta o poder de Cristo na Terra através do Espírito Santo concedido aos cristãos no Pentecostes, se fundirá ao Reino Eterno da Nova Jerusalém quando Jesus voltar e julgar os vivos e os mortos, anjo e homens.

A entrada do Senhor na presença do Pai não deixou os crentes no Messias órfãos, mas deu início ao tempo da realização de todas as promessas de Deus para os seus eleitos. A entrada dos gentios no povo de Deus; o derramamento do Espírito Santo; os dons concedidos à Igreja; o desfecho do processo revelacional; são algumas das promessas que Deus fez e faz se cumprir no seu Reino presente de Glória. O enlace do maligno também faz parte das dádivas do Reino de Jesus iniciado na Ascensão. O Diabo na presente dispensação, não pode impedir, como fazia antes da vinda de Jesus, a proclamação do Evangelho, que já atingiu as extremidades da Terra. Ainda há aqueles que não tiveram acesso à Palavra, mas não há comparação ao período em que ela era restrita ao pequeno povo de Israel. O Inimigo ainda ladra, pois o fato de estar preso não o impede de avançar, mas não tem a liberdade e o domínio sobre as nações como antes da vinda do Messias. É claro que os sinais nos mostram como os últimos dias estão próximos e devemos estar atentos ao que diz a Palavra, mas o domínio e a autoridade são do nosso Rei Jesus.

O Reino do Messias é um tempo de Graça, de paz através da Igreja, seu Corpo que se faz presente no Mundo, de iluminação e acesso à Palavra de Deus, de comunhão através do Espírito Santo e do amor do Pai que inunda nossos corações aquecidos por sua presença.

A ascensão nos ensina sobre o Reino de Jesus, nos dá testemunho de sua divindade, de sua união com o Pai e nos enche de esperanças quanto à segunda vinda do Cristo, que é descrita como sendo semelhante a ascensão do Mestre ao céus, que virá e unir-se-á para sempre com sua Noiva, a Santa, Una, e Perfeita Igreja de Cristo.

Salmo 24

24.7   Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória.

24.8   Quem é o Rei da Glória? O SENHOR, forte e poderoso, o SENHOR, poderoso nas batalhas.

24.9   Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória.

24.10   Quem é esse Rei da Glória? O SENHOR dos Exércitos, ele é o Rei da Glória.


terça-feira, 2 de abril de 2013

Não, a Páscoa ainda não acabou!





É isso mesmo! A Páscoa para aqueles que adotam o Calendário Litúrgico em suas comunidades, ainda não acabou, pelo contrário, o Domingo da Ressurreição de Cristo é apenas o primeiro desse tempo tão maravilhoso na vida da Igreja. Porque depois de ressurreto, andou com seus discípulos por mais 40 dias até subir ao Pai. (At 1.3)

Estamos no Tempo Pascal, tempo das dádivas da tumba vazia, veremos nos próximos Domingos que se seguirão até a celebração da Ascensão de Jesus, os ensinamentos do Cristo glorificado entre os homens. Que o Senhor nos abençoe e que possamos viver e proclamar a Páscoa do Senhor!




segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A Transfiguração de Jesus


No último domingo do Tempo Comum que precede a Quaresma, nos encontramos com um episódio enigmático da vida de Cristo, a Transfiguração. Talvez já tenhamos nos deparado com esse fato nos evangelhos e tenhamos ficado sem entender, assim como não compreenderam os apóstolos naquela ocasião, qual o propósito desse relato dos evangelistas. Talvez ao terminarmos nossa leitura nos perguntemos: “O que significa essa passagem?”. Afinal, por qual motivo o Cristo apareceu aos discípulos transfigurado? A profundidade desse texto daria assunto para várias páginas, no entanto me aterei a alguns pontos que nos ensinam bastante.

A primeira lição que podemos tomar dessa passagem, é o fato da transfiguração ter contecido num monte, um lugar, onde assim como aconteceu com Moisés, o homem encontra-se com o Divino. Cristo ao orar durante a trasfiguração, nos mostra ser ele a ponte entre Deus e os homens, revelando ali suas duas naturezas, a humana e a divina. Sendo confirmada sua posição como intermediador através da voz de Deus, que dá testemunho de seu Filho, assim como no Batismo do Senhor.

A segunda lição que podemos tirar desse acontecimento é que o Cristo transfigurado foi uma prévia aos discípulos do que aconteceria depois da ressurreição. Aquela visão de Jesus  glorificado, é para nós a esperança do fim de todos os males, quando enfim teremos um corpo igual ao de Jesus, sem mácula, sem todo o peso do pecado. Como é maravilhoso contemplar essa visão de glória! Essa glória que nos permitirá chegar ao Pai e descansar em seus braços, pois já não haverá separação entre nós.

A terceira lição que tiramos desse episódio é, que assim como Pedro, queremos adorar a Deus de nossa maneira. Ao desejar construir naquele monte morada para Jesus, Moisés e Elias, Pedro estava demonstrando uma característica de todos nós: ditar a forma de adorar a Deus, fazendo tudo de nossa forma e na hora que desejamos. É muito bom contemplar a glória de Deus, no entanto temos uma missão aqui na Terra, a de manifestar essa glória ao mundo. Agora é tempo de enfrentar os males da vida, combater o pecado e sofrer por Cristo. Mas em breve veremos a glória de Deus para sempre!

Assim como é maravilhoso estar na casa de Deus, ler sua palavra e conversar com Ele em oração, momentos em que contemplamos sua glória, deve ser maravilhoso para nós o nosso dia a dia, pois Cristo está sempre conosco, nos ajudando em nossa missão. Que a esperança da glória eterna nos guie durante nosso cotidiano, e que Deus nos abençoe a brilhar a luz de Cristo, testemunhando e esperando esse momento.

William de Almeida Santos


Texto extraído do Boletim Dominical n° 0024 (que não foi impresso)

sábado, 12 de janeiro de 2013

O Batismo do Senhor

  O Domingo seguinte à Epifania de Senhor é o domingo do Batismo de Jesus, onde a Igreja celebra esse acontecimento que também é uma epifania e possui um significado enorme para o ministério de Cristo e a comunidade cristã. No batismo de Jesus, vemos as três pessoas da Trindade se manifestando aos homens, Deus-Filho sendo batizado por João, Deus-Pai exclamando "Este é meu Filho amado em quem me comprazo" (palavras que combinam frases chaves do Antigo Testamento e que confirma a veracidade da pregação de Jesus, Sl 2.1; 10.1; Is 42.1), e Deus-Espírito se manifestando em forma de pomba. Deus Uno se revelando ao homem de forma Trina, confirmando a todos os ouvintes o messianato de Jesus.

  O batismo de Jesus também marca o início de seu ministério público. O batismo de João, que era o simbolo de remissão de pecados (Lc 3.3), predizia a missão de Jesus, que veio ao mundo trazer libertação de todo o pecado, como afirma João Batista nos relatos do Evangelho segundo o Apóstolo João (1.29-34), chamando Jesus de Cordeiro de Deus. Muitos podem se perguntar por qual motivo Jesus, o Cristo, receberia tal batismo, se nele não há pecados? A resposta é simples e dada por João, o batismo de que ele oferecia era apenas realizado com água, mas Jesus batizaria com o Espírito Santo de Deus. Dessa forma Jesus mostrou à multidão que seguia a João, que Ele era aquele a quem eles esperavam e que os batizaria em breve com o Espírito Consolador de Deus. Esse ato de Cristo de juntar-se à fila dos pecadores para receber o batismo de João, nos mostra toda a essência da vida de Jesus, que veio para se fazer oferta pelos pecadores indignos e separados de Deus. Ele viveu entre os pecadores, pois ele veio para os doentes e não para os sãos. No ato do batismo Jesus se submete radicalmente à vontade Deus, ele assume publicamente sua missão como Servo do Deus Vivo. 

  A partir do batismo de Jesus devemos nos perguntar se estamos dispostos a nos tornar servos de Deus, pois assim somos feitos em nosso batismo, somos feitos filhos do Deus Altíssimo, somos feitos filhos amados de Deus. Mas como temos nos comportado? Será que nós batizados temos nos submetido radicalmente a vontade de Deus, temos vivido como seus filhos? O batismo de Jesus nos mostra a seriedade desse sacramento, que deve estar presente a cada dia em nossas vidas, se de fato recebemos o batismo com água e com o Espírito, pois se não há vida cristã, transformada e santificada, apenas recebemos o batismo com água. Mas quando o Espírito habita em nós, somos transformados a cada dia, mesmo falhando, estamos lutando contra a carne e crescendo no Espírito. Verdadeiros batizados, devem viver a vida que Jesus morreu para nos dar e estar pronto para tudo suportar em Nome de Jesus. 

  Lembre-se que és um batizado, tens o selo do Espírito em tua vida! Busque a Deus em sua Palavra, não deixe de orar, ter comunhão com os irmãos e viver submetido a vontade do Senhor. Seja um verdadeiro cristão, pois assim muitos ouvirão o que dizes, pois de fato podem ver isso em tua vida. Se ainda não és batizado, prepare-se para receber este sacramento que nos sela com o Espírito e nos torna parte do corpo de Cristo, nos chamando a viver a vontade de Deus. Que o nosso batismo possa ser uma manifestação de Deus em nossas vidas, como foi uma Epifania na vida de Cristo. Amém.

William de Almeida Santos

domingo, 2 de dezembro de 2012

Ano Novo na Igreja - O Tempo do Advento


O Calendário Litúrgico, rege os serviços dominicais dos cristãos desde os primeiros séculos da Igreja. Ele tem como tema principal a obra da salvação realizada na vida de Cristo. Assim, desenvolveu-se uma maneira de destacar um aspecto diferente da vida de Cristo a cada festa do calendário. O ano litúrgico, desta forma, tem a finalidade de revelar, “reatualizando”,  toda a história da obra e redenção de Cristo, desde a vinda de Jesus a este mundo até a sua morte, ressurreição, ascensão e o envio do Espírito Santo à sua comunidade.

O primeiro ciclo do Ano Litúrgico é o ciclo do Natal, cujo primeiro tempo é o do Advento, nome que deriva do Latim Adventos e quer dizer "chegada". Esse tempo surgiu no séc. IV, como uma preparação para a Epifania (data em que a cristandade comemorava o nascimento a encarnação de Jesus antes de estabelecer-se o Natal), quando os catecúmenos costumavam ser batizados. Esse era um tempo de oração e jejum, semelhante a Quaresma. Entre o séc. IV e o VII, o Advento ganhou a forma de conhecemos hoje, composto de quatro domingos que precedem o dia de Natal e ganhando um aspecto escatológico (relacionado à segunda vinda de Jesus).

Esse tempo tem como principal objetivo levar os cristãos a se prepararem para a festa do Natal, refletindo na vinda de Jesus e agradecendo a Deus pela dádiva de Cristo em nossa história, vindo para nos resgatar do pecado e nos redimir diante de Deus. É tempo de alegria e vigilância, estando sempre atentos e nos preparando para a vinda do Messias. O Advento recorda também o Deus da Revelação. Aquele que é, que era e que vem (Apocalipse 1.4-8), que está sempre realizando a salvação mas cuja consumação se cumprirá no "dia do Senhor", no final dos tempos. A celebração do Advento é um meio precioso e indispensável para nos ensinar sobre o mistério da salvação e assim termos a Jesus como referência e fundamento, dispondo-nos a "perder" a vida em favor do anúncio e instalação do Reino.


domingo, 25 de novembro de 2012

Jesus Cristo, o Rei do Universo!


As vezes em nossa vida, surgem problemas que abalam nossa fé, passamos a sofrer por eles e por momentos, nos esquecemos d'Aquele a quem servimos. 


Nosso Deus é soberano, ele Reina sobre todas as coisas, mas por vezes temos nossa visão e nossa confiança abalada pelas aflições da vida, mas Cristo disse: Tende bom ânimo, pois eu venci o mundo! E não apenas venceu como também subiu ao céu e está sentado à destra de Deus Pai Todo-Poderoso, reinando sobre nós. O governo de Jesus é sobre todas as coisas, todo o universo. Ele venceu a morte! Será que não vencerá os nossos problemas? Nós adoramos ao Rei do Universo, nada pode nos abalar! 

Jesus é um Rei vencedor, nenhum outro pode ser comparado a Ele, pois ele recebeu o seu Reino do Pai. Temos que confiar em Jesus, confirmar aquilo que cantamos e lemos, não devemos deixar que as aflições do mundo ofusquem o brilho eteno do Rei do Universo.

Irmãos, mantenham os olhos em nosso Rei, peçam a Ele que nos dê fé, confiança e que possamos enxergá-lo acima de todos os problemas. Adoremos aquele que venceu a morte, ressurgiu e nos religou ao Pai. Adoremos com alegria e fervor, com reverencia e total entrega, humilhemo-nos em sua presença.  

Sendo perseverantes na fé e confiando n'Ele, o aguardamos até que ele volte, quando seu Reino tornar-se-á eterno, e para sempre com Ele reinaremos! Maranata, vem Senhor Jesus, o Rei do Universo! 

sábado, 24 de novembro de 2012

Muitas Graças - 24 de Novembro

          Como é bom poder agradecer a Deus e reconhecer tudo o que Ele tem feito por nossa Igreja. Esse exercício de contar as bênçãos de Deus nos faz ver tudo o que Ele tem feito por nós. Desde já agradecemos por nossa salvação. Então, vamos às bênçãos!

          Iniciando nossa contagem de bênçãos a partir de dezembro do ano passado, logo após o nosso último dia de Ação de Graças, agradecemos pelo nosso cronograma que nos deu uma organização maior e nos permitiu realizar mais programações em nossa congregação. Também agradecemos por nossa Agenda de Atividades, que nos deixou mais informados sobre nossa congregação.

          Agradecemos a Deus por nossas duas apresentações da cantata Jesus Chegou, trabalho de muito ensaio que resultou numa maravilhosa oferta de louvor a Deus. Logo após nossa cantata, tivemos mais um culto de natal, onde estivemos reunidos com irmãos que muito amamos e nem sempre podemos estar juntos, tivemos nossa troca de presentes e nossa ceia de natal.

          Agradecemos por mais um ano que se iniciou e porque o Senhor nos permitiu estar aqui. Agradecemos a Deus por tudo o que aprendemos através do Calendário Cristão, o qual passamos a conhecer durante o ano.

          Damos graças a Ele por termos terminado nosso estudo sobre a Confissão de Fé de Westminster; iniciado e terminado nosso estudo sobre a Igreja e a Evangelização, quando a EBD ainda acontecia pela manhã e pelo nosso estudo sobre a Bíblia. Agradecemos por nossa nova revista sobre Louvor e Adoração, com a qual estamos aprendendo muito. Agradecemos pelo novo horário da EBD que possibilitou que mais irmãos pudessem estar presentes. Este novo horário também permitiu que tivéssemos classes para as crianças e pré-adolescentes, num horário fora do culto infantil, desse modo passamos a ter dois períodos de aprendizagem para as crianças de nossa Igreja. Essa nova EBD, também trouxe a primeira classe de catecúmenos de nossa congregação, com três alunos.

          Agradecemos pelas nossas Escolas Bíblicas de Feriado, realizadas em Janeiro, 25, e em Outubro, 12. Na última tivemos a presença de mais de vinte crianças e nos divertimos muito!
Agradecemos pelo dia Global da Evangelização, ocasião na qual distribuímos folhetos para os pedestres e abrimos as portas de nossa Igreja para louvar a Deus e pregar sua palavra para quem passava.

          Também agradecemos pelas apresentações de nosso coral este ano. Na Páscoa pudemos cantar com nossos irmãos da Igreja mãe, aqui na congregação e também na Igreja de Interlagos. Cantamos uma composição de nosso regente Magnilson, para o Salmo 113 e o hino ”Deus Enviou”. Antes disso também cantamos as canções Exaltai e Seu Caminho é Perfeito, no aniversário de Interlagos.

          Agradecemos pelo segundo aniversário do coral; cantamos na Igreja Evangélica Plenitude em Cristo e também em nossa congregação. As músicas foram: Justo É o Senhor (que ficou muito linda!), Preciso do Senhor e Amor, Amor, Amor, Amor

          Somos gratos a Deus por termos participado da Festa das Nações na Igreja de Interlagos, onde aprendemos e ensinamos sobre a Inglaterra, podendo dar, ao lado dos outros grupos, um panorama do cristianismo mundo a fora para a Igreja mãe.
Também agradecemos a Deus pela oportunidade de realizar nossa primeira noite de Talentos, onde trouxemos oferta de louvor a Deus através de cânticos, textos, comida e mão de obra! Agradecemos pela participação dos nossos irmãos de Interlagos e por todos que trouxeram seus talentos e nãos os esconderam!

          Agradecemos por nossas quatro vigílias trimestrais, onde pudemos orar, cantar e aprender uns com os outros durante a madrugada. Também participamos da Vigília em Interlagos, onde fomos convidados para conduzir o louvor.

          Agradecemos pelo Mês das Missões, quando vimos a situação dos missionários pelo mundo e fomos incentivados a orar por eles. Neste mês também comemoramos o aniversário da Igreja Presbiteriana no Brasil, que pela graça de Deus completou 153 anos!

          Agradecemos a Deus pelo aniversário de nossa Congregação, que completou 16 anos com um ânimo novo. Tivemos o nosso abençoado mês de aniversário, no qual recebemos várias visitas. No mesmo mês tivemos o aniversário de nosso presbitério, que completou 11 anos.

          Somos gratos a Deus pelos dois batismos que tivemos, do nosso irmão Lucas e do nosso pequeno Kevin. Também agradecemos pela profissão de Fé de nossas irmãs Paula Cristina e Orbélia, e também do Lucas.

          Agradecemos a Deus pelo cuidado com nossa irmã Marisa durante a gestação e pela vida do Kevin. Também agradecemos pela saúde da irmã Maria Aparecida, que teve um início de AVC, mas o Senhor a livrou. Agradecemos pelo consolo do Espírito na vida de nossa Igreja, especialmente para as famílias da nossa irmã Gercina, que descansa no Senhor e na família de nosso irmão Natanael. Agradecemos por ele ter guiado a situação que passamos na noite em que bateram no carro do pastor Donizete. E por todas as lutas e vitórias de cada irmão.

          Agradecemos a Deus por nosso culto nos lares, pois completamos o estudo sobre Romanos e iniciamos o estudo do Livro dos Salmos. Também passamos a nos reunir na Igreja durante as quartas-feiras. Este trabalho que muito nos edifica completou um ano.
Agradecemos a Deus pelo nosso sistema de escalas e por todos que se disponibilizaram a participar da equipe de limpeza, do culto infantil, da EBD e do grupo de louvor.

          Também agradecemos pelo nosso blog que foi aprimorado este ano, sendo mais uma fonte de comunicação e informação. Do mesmo modo agradecemos pelo nosso Boletim Dominical, que iniciou sua publicação em Setembro, mês de aniversário de nossa congregação. Agradecemos a Deus por nossa impressora e pelo nosso novo púlpito.

          Agradecemos a Deus pela vida do Rev. Cláudio, da Igreja de Vila Natal e pelo Presbitério de Pinheiros, por eles oferecerem à Igreja de Interlagos uma ajuda financeira e espiritual para os trabalhos da Congregação. Agradecemos pela vida do Rev. Valter, que além de nos assistir fielmente no segundo domingo de cada mês deste ano, celebrando a Santa Ceia do Senhor, ouviu e levou a proposta para o Conselho da Igreja, que também aceitou e disponibilizou uma nova ajuda e foi muito atencioso às necessidades da Congregação. Agradecemos a Deus pela vida de cada presbítero de nossa Igreja. Agradecemos pela reeleição de nosso pastor, pois Deus confirmou seu trabalho.

       Agradecemos por Deus ter tratado os nossos corações e nos mostrado nossas falhas, pelas provações e pelo crescimento e fortalecimento que Ele nos deu este ano. Agradecemos pela misericórdia e pelo amor de Deus em nossas vidas. Agradecemos a Deus pelos irmãos que foram fiéis nos seus dízimos e ofertas, pois entenderam que tudo vem do Senhor e do que é dEle nós devolvemos!

         Em nossa caminhada em conhecer os hinos, agradecemos pelos 180 já cantados!
        Agradecemos a Deus pela iniciativa e o despertar em nós, para que busquemos organizar uma UMP em nossa Congregação.

        Agradecemos a Deus por todos que nos visitaram este ano, todos aqueles que entraram em nossas portas, especialmente aqueles que não conhecem a Deus.

        Agradecemos pela vida de nossas crianças, adultos, jovens, professores de EBD e todos que tem servido a Deus e fazem parte dessa família. Agradecemos por tudo, e pedimos, neste dia tão especial, que nossos corações se  encontrem cheios de gratidão a cada dia de nossa peregrinação. Deus nos abençoe! 


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Sede Santos, pois Eu sou Santo

        Deus exige que vivamos em santidade (1 Pe 1.15-16), pois Ele é Santo e quer que a cada dia nos enchamos de sua plenitude e sejamos parecidos com Ele (Ef 3.19 e 4.13). Mas o que é ser Santo?

         Grande parte das pessoas têm dificuldade em definir o que é ser um santo segundo a palavra de Deus. Muitos tem a concepção de que ser santo é algo inatingível, sendo apenas possível para aqueles que escolhem levar uma vida ascética e monástica, o que não é verdade, pois nas cartas Paulinas vemos o Apóstolo chamando a todos os que faziam parte da Igreja de santos (Rm 1.7; Rm 15.25; 1Co 1.2; Fp 4.21; etc) e com certeza essas pessoas tinham uma vida comum, trabalhavam e estavam inseridas na sociedade, porém tinham plena consciência de que eram cidadãos do Céu. 

       Santidade é a busca pela obediência à Palavra de Deus, é viver lutando contra os desejos da carne e enchendo-se do Espírito Santo de Deus, através das orações, estudo da Bíblia, cânticos espirituais e a comunhão com outros santos. Já ser santo é uma condição para todos aqueles que fazem parte da Igreja de Deus, tanto os que estão regozijando nos céus, quanto aqueles que aguardam essa união, seja pela segunda vinda de Cristo ou pela morte. 

          Como parte do corpo de Cristo, a Igreja, somos portanto santos e devemos buscar uma vida de santidade, que a cada dia nos leve para mais perto de nosso Deus. Devemos crescer em conhecimento e na fé, para que nossa vida seja um exemplo para todos os santos. Sendo assim, ser santo é uma obrigação e uma meta atingível a todo o Cristão comprometido com Deus e sua palavra. Que possamos ser achados entre os santos. Amém!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

31 de Outubro - Dia da Reforma Protestante

          Hoje é o dia da Reforma Protestante, há 495 anos o monge agostiniano Martinho Lutero pregou suas 95 teses contra a venda das indulgências na porta da Catedral de Wittenberg, dando início a um movimento que transformou a sociedade e a cristandade. Vale lembrar que o desejo de Lutero nunca foi criar uma nova Igreja, pois a Igreja de Cristo é Una, Santa, Universal e Apostólica.

Panorama Histórico: 

          Era a véspera do Dia de Todos os Santos, no qual milhares de pessoas se dirigiam à Catedral de Wittenberg em busca das relíquias de Frederico II, o Sábio, as quais eram capazes de reduzir muitos anos no purgatório. Sabendo disso Martinho Lutero escolheu essa data, pois assim muitos veriam suas teses. Mas suas ideias tiveram um alcance maior do que ele esperava e em pouco tempo toda a região da Alemanha e Europa conheciam as teses de Lutero.

          Paralelamente aos acontecimentos na Alemanha, um movimento começou em Zurique, na Suíça, liderado pelo reformador Úlrico Zwinglio, que apesar de concordar grandemente com o Luteranismo, manteve-se afastado desse, por algumas discordâncias, a maior delas era a presença de Cristo na Eucaristia, que Zwinglio considerava apenas simbólica e Lutero defendia a Consubstanciação, que afirma que a substância do corpo e sangue de Cristo se une a substância do pão e do vinho, permanecendo unidos unicamente após a consagração e durante o uso do sacramento. Zwinglio morreu em 1531, numa frente de batalha entre Católicos e Protestantes suíços. 

          Após esta primeira etapa da reforma, depois da excomunhão de Lutero e da condenação da Reforma pelo Papa em 1521, o trabalho e os escritos de João Calvino foram influentes no estabelecimento de um consenso entre os vários grupos soltos na Suíça, Escócia, Hungria, Alemanha e outros países. O trabalho de Calvino tornou Genebra um dos maiores centros da Reforma Protestante, sendo considerada a capital não oficial da Reforma, que também concedeu asilo a reformadores perseguidos. Suas ideias foram responsáveis pelo movimento Huguenote na França e a conversão da Escócia, sob o papel do reformador John Knox em 1560. As ideias de Calvino foram tão longe que chegaram ao Brasil em 1556, onde foi celebrado o primeiro culto protestante da América.  

          Apesar do édito de Worms a reforma prosseguiu, expandindo-se para outros pontos da Europa. A expansão da Reforma se deve ao fato de que muitos reconheciam o estado deplorável em que a Igreja se encontrava e a necessidade, devido a decisões não tomadas no século XV, de uma reforma na Igreja. A reforma atingiu, além da Alemanha, a Suíça, Eslovênia, Holanda, Hungria, Suécia (Finlândia), Dinamarca (Noruega e Islândia), Escócia, Inglaterra, Lituânia, Polônia, França, e algumas regiões da Itália. Houve muitas guerras e muitos morreram defendendo sua fé. A Reforma Protestante é um capítulo muito amplo da história da humanidade e precisaria de muito espaço para citar os vários reformadores e a expansão desse movimento. Leia mais e conheça os mártires e mestres desse movimento.

As Consequências da Reforma:


          A Reforma permitiu que o povo participasse da celebração do culto a Deus, pois agora podiam ouvir e entender as palavras em suas língua vernáculas, além de cantar e participar dos responsos litúrgicos. 

          Também trouxe luz aos homens quando permitiu que estes pudessem ter a Bíblia traduzida em sua língua, pois esse sempre foi o papel da palavra de Deus. Mesmo a Vulgata tinha esse propósito, pois seu nome significa "edição, tradução ou leitura de divulgação popular", porém foi restrita ao clero ao longo dos séculos. A tão mal entendida "Livre interpretação das Escrituras", não significa que todos podem interpretar a Bíblia como quiserem, a seu bel-prazer, mas que todos podem LER, ter acesso a Palavra de Deus.

          Também foi uma consequência da reforma o devolvimento do cálice na Eucaristia aos leigos, os quais puderam celebrar a comunhão como Cristo a instituiu. 

          A alfabetização do povo também foi uma consequência da Reforma, pois a larga distribuição de livros e panfletos estimulou a leitura e a busca de conhecimento por parte das pessoas. 

          Outra dádiva da reforma foi o redescobrimento da doutrina da Graça de Deus e da Fé Salvadora, que eram comuns à Igreja Primitiva. Ter pleno conhecimento da Graça de Deus foi importantíssimo para a vida dos cristão reformados. 

          Mesmo para a Igreja Católica a reforma teve consequências positivas, pois foram instituídos os seminários e universidades para melhor preparação do clero e suprimidos os abusos envolvendo indulgências, embora as questões doutrinárias tenham permanecido inalteradas. 

A Reforma Hoje:

          Embora tenha trazido luz e renovação espiritual aos cristãos, as Igrejas descendentes da Reforma, direta e indiretamente, vivem uma crise. Com as sucessivas divisões no protestantismo e o surgimento das correntes pentecostais e neo-pentecostais (esta última que pode ser acusada de cometer os mesmos erros, se não piores do que os da Igreja da idade média, pois praticam de modo semelhante a venda da salvação e do perdão de Deus). Tem transformado a dádiva da livre interpretação das escrituras sagradas, numa perdição para os homens, pois todo o esforço feito pelos reformadores para que as pessoas pudessem conhecer e adorar a Deus verdadeiramente é suprimido por eles. Ao invés de ensinar a Bíblia aos homens, eles vendem ilusões e tiram a dádiva da Graça de Deus que tanto impulsionou a reforma. Nas Igrejas que descendem diretamente da Reforma do século XVI, existe um dilema, se elas continuam fiéis a seus princípios ou se aderem a tais "movimentos espirituais" que tanto enchem os templos. 

          Precisamos combater essas falsas doutrinas com o ensino da Graça de Deus e da Fé, que tanto revolucionou o pensamento cristão durante a Reforma, compreender a Graça de Deus sempre será uma luz para os que se encontram presos em falsos ensinos. Que o amor à Palavra de Deus nos motive a combater as falsas doutrinas que ofuscam a graça de Deus e que os princípios da Reforma (Somente a Graça, Somente a Fé, Somente Cristo, Somente as Escrituras e Somente a Glória de Deus), rejam as Igreja Protestantes nos dias atuais. Que Deus nos abençoe e se agrade de nós e que procuremos ter um compromisso com sua palavra e que Ele nos dê sabedoria e conhecimento pleno da Palavra de Deus e suas implicações.

Galeria dos Reformadores:

Pré-Reformadores


John Hus


John Wycliffe

Jerônimo Savonarola
Pedro Valdo










Reformadores

Martinho Lutero
João Calvino