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Nas últimas semanas me deparei
com a questão do suco de uva e do vinho na Ceia do Senhor, não apenas com ela,
mas com a questão do cristão e o álcool, abstinência, moderação e proibição,
etc. O posicionamento “não importa é simbólico”, apareceu e foi o veredicto de
uma das discussões. Mas será que é isso mesmo? Se esse for o veredicto não me
dou por satisfeito, pois isso nada mais é do que o relativismo que tanto
combatemos dentro de nossa própria fé!
Outro argumento que surgiu foi o
de “evitar que os irmãos que tiveram problemas com o alcoolismo tenham uma
recaída”. Talvez esse argumento seja mais plausível do que o primeiro, no
entanto ele parece não considerar o poder regenerador do Evangelho de Jesus, ou
o poder da oração, além do fruto do Espírito chamado domínio próprio. Ao
substituir o vinho pelo suco por este motivo, parece que a velha criatura e o
pecado são mais fortes do que o poder do Espírito Santo. Acredito que o que
devemos pregar é a busca constante dos frutos espirituais, pois já somos
libertos em Cristo Jesus, não mais escravos dos pecados e vícios. Para
solucionar esse problema creio que poderíamos adotar o suco apenas para quem
pode ter uma recaída por estar num processo de desintoxicação, como fazem nos
EUA, onde há até pão sem glúten para que tenha problema com isso.
Aí me vem à mente: será que Jesus
não sabia que o vinho era alcoólico quando o escolheu para celebrar a Ceia? E a
resposta é mais do que óbvia, é claro que sim. Mesmo aqueles que insistem na
ladainha que diz que o vinho daquela época não possuía álcool, devem ater-se ao
fato de que se a Bíblia o chama de vinho é porque já havia acontecido a
fermentação, seja a porcentagem baixa ou alta, já possuía álcool em sua
composição, não é à toa que os crentes em Corinto estavam se embriagando. Ao
retirar o vinho da Ceia porque ele é alcoólico me faz pensar que entramos no
grupo que costuma demonizar as coisas boas que Deus criou. O vinho é uma bênção
para o homem, no entanto o impacto da queda surtiu efeito nele também, assim o
homem o utiliza para embriagar-se e não para aproveitar essa delícia da criação,
pois embora não se tire o vinho da uva sem que haja fermentação, foi Deus pela
sua graça comum que permitiu ao homem desenvolver esse processo. A Bíblia de
modo algum demoniza o vinho, mas a embriaguez sim! É claro que apenas chega-se
à embriaguez quando se toma a bebida, mas seria a proibição o melhor caminho? E
creio mais uma vez que não. Há dois caminhos para o cristão, o da abstinência e
o da moderação, nunca o da proibição, pois tudo nos é licito, no entanto nem
tudo nos convém é o que diz a Palavra. Quem opta pela moderação deve ter consciência
de que quer coma, quer beba estará fazendo para a glória de Deus, caso
contrário é melhor não fazê-lo. Aquele que opta pela abstinência deve levar em
consideração que esta é uma opção sua e não condenar o que escolheu o caminho
da moderação, pois para seguir este caminho, o da moderação, é necessário muito
domínio próprio e sabedoria, se de fato quer glorificar a Deus com tudo o que
faz. Mas voltando ao início do parágrafo, Jesus sabia que o vinho tem um teor alcoólico,
seja ele qual for, por que então o escolheu para seu sacramento perpétuo até a
consumação dos séculos? Não podemos querer ser melhores do que Cristo, se ele
escolheu o vinho era porque este representava, (agora sim estamos falando de
simbolismo) muito bem a pureza de seu sangue, a alegria que só Cristo pode dar
e o valor único do nosso Senhor, pois o vinho era a bebida mais apreciada da
época, o que o suco de uva não representa, mas numa sociedade evangélica que
perdeu esse referencial, a “demonização” e a proibição parecem mais óbvias.
Precisamos nos recordar de nossa liberdade em Cristo, da nossa consciência, que
é a Palavra de Deus, e dos frutos do Espírito Santo que nascem em nós quando
nos relacionamos com ele. E lembrar, que embora a Ceia seja simbólica, o
próprio Jesus que a instituiu, por obra do Espírito Santo, está presente ali.
Sejamos sábios e coerentes!
*(Este é um texto reflexivo e não representa nem um consenso no meio cristão ou expressa a concordância dos membros desta Congregação acerca do assunto)
William de Almeida Santos.


