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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Por que substituir o vinho da Ceia do Senhor?

Todos os créditos ao autor da imagem
Nas últimas semanas me deparei com a questão do suco de uva e do vinho na Ceia do Senhor, não apenas com ela, mas com a questão do cristão e o álcool, abstinência, moderação e proibição, etc. O posicionamento “não importa é simbólico”, apareceu e foi o veredicto de uma das discussões. Mas será que é isso mesmo? Se esse for o veredicto não me dou por satisfeito, pois isso nada mais é do que o relativismo que tanto combatemos dentro de nossa própria fé!

Outro argumento que surgiu foi o de “evitar que os irmãos que tiveram problemas com o alcoolismo tenham uma recaída”. Talvez esse argumento seja mais plausível do que o primeiro, no entanto ele parece não considerar o poder regenerador do Evangelho de Jesus, ou o poder da oração, além do fruto do Espírito chamado domínio próprio. Ao substituir o vinho pelo suco por este motivo, parece que a velha criatura e o pecado são mais fortes do que o poder do Espírito Santo. Acredito que o que devemos pregar é a busca constante dos frutos espirituais, pois já somos libertos em Cristo Jesus, não mais escravos dos pecados e vícios. Para solucionar esse problema creio que poderíamos adotar o suco apenas para quem pode ter uma recaída por estar num processo de desintoxicação, como fazem nos EUA, onde há até pão sem glúten para que tenha problema com isso.

Aí me vem à mente: será que Jesus não sabia que o vinho era alcoólico quando o escolheu para celebrar a Ceia? E a resposta é mais do que óbvia, é claro que sim. Mesmo aqueles que insistem na ladainha que diz que o vinho daquela época não possuía álcool, devem ater-se ao fato de que se a Bíblia o chama de vinho é porque já havia acontecido a fermentação, seja a porcentagem baixa ou alta, já possuía álcool em sua composição, não é à toa que os crentes em Corinto estavam se embriagando. Ao retirar o vinho da Ceia porque ele é alcoólico me faz pensar que entramos no grupo que costuma demonizar as coisas boas que Deus criou. O vinho é uma bênção para o homem, no entanto o impacto da queda surtiu efeito nele também, assim o homem o utiliza para embriagar-se e não para aproveitar essa delícia da criação, pois embora não se tire o vinho da uva sem que haja fermentação, foi Deus pela sua graça comum que permitiu ao homem desenvolver esse processo. A Bíblia de modo algum demoniza o vinho, mas a embriaguez sim! É claro que apenas chega-se à embriaguez quando se toma a bebida, mas seria a proibição o melhor caminho? E creio mais uma vez que não. Há dois caminhos para o cristão, o da abstinência e o da moderação, nunca o da proibição, pois tudo nos é licito, no entanto nem tudo nos convém é o que diz a Palavra. Quem opta pela moderação deve ter consciência de que quer coma, quer beba estará fazendo para a glória de Deus, caso contrário é melhor não fazê-lo. Aquele que opta pela abstinência deve levar em consideração que esta é uma opção sua e não condenar o que escolheu o caminho da moderação, pois para seguir este caminho, o da moderação, é necessário muito domínio próprio e sabedoria, se de fato quer glorificar a Deus com tudo o que faz. Mas voltando ao início do parágrafo, Jesus sabia que o vinho tem um teor alcoólico, seja ele qual for, por que então o escolheu para seu sacramento perpétuo até a consumação dos séculos? Não podemos querer ser melhores do que Cristo, se ele escolheu o vinho era porque este representava, (agora sim estamos falando de simbolismo) muito bem a pureza de seu sangue, a alegria que só Cristo pode dar e o valor único do nosso Senhor, pois o vinho era a bebida mais apreciada da época, o que o suco de uva não representa, mas numa sociedade evangélica que perdeu esse referencial, a “demonização” e a proibição parecem mais óbvias. Precisamos nos recordar de nossa liberdade em Cristo, da nossa consciência, que é a Palavra de Deus, e dos frutos do Espírito Santo que nascem em nós quando nos relacionamos com ele. E lembrar, que embora a Ceia seja simbólica, o próprio Jesus que a instituiu, por obra do Espírito Santo, está presente ali. Sejamos sábios e coerentes!

*(Este é um texto reflexivo e não representa nem um consenso no meio cristão ou expressa a concordância dos membros desta Congregação acerca do assunto)


William de Almeida Santos.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A Igreja Reformada e o feriado de Corpus Christi

Manifestação Popular típica do feriado de Corpus Christi
O feriado nacional de Corpus Christi tem origem na data litúrgica do calendário da Igreja Católica Romana em que é celebrado o mistério romanista da Transubstanciação, crença na qual o pão (hóstia) e o vinho usados na Eucaristia (Santa Ceia ou Ceia do Senhor), se transformam no verdadeiro corpo material de Jesus Cristo, após a oração eucarística realizada pelo sacerdote. 

A Igreja Reformada, e as protestantes de maneira geral, não compartilham dessa crença e por isso não celebram essa data em seus calendários litúrgicos. No entanto é preciso entendermos como a família de igrejas reformadas crê na eucaristia, palavra de origem grega que significa "ações de graças". Há nas comunidades locais, especialmente naquelas que recebem membros oriundos de outros meios evangélicos, uma difícil compreensão das crenças reformadas dos sacramentos, do batismo, em maior grau, e da santa ceia. Muitos, orientados pela visão das igrejas batistas, em que a crença na ceia do Senhor restringe-se a celebrar uma ordenança meramente simbólica, não compreendem a visão Reformada de que a Santa Ceia é um meio de graça, pelo qual somos alimentados.

A visão calvinista do sacramento vê uma "presença real" de Cristo na ceia que difere tanto visão católica citada acima, e da ausência real de Cristo e da recordação mental do memorialismo zwingliano e seus sucessores. O pão e o vinho tornam-se o meio pelo qual o crente tem comunhão real com Cristo em sua morte e que o corpo e sangue de Cristo estão presentes para a fé do crente como realmente o pão e o vinho estão presentes aos seus sentidos, mas esta presença é "espiritual ", que é a obra do Espírito Santo. 

A Confissão de Fé de Westminster fala a respeito da crença Reformada do sacramento da ceia do Senhor no capítulo XXIX. Destaco a seguir os pontos V e VII:


V. Os elementos exteriores deste sacramento, devidamente consagrados aos usos ordenados por Cristo, têm tal relação com Cristo Crucificado, que verdadeira, mas só sacramentalmente, são às vezes chamados pelos nomes das coisas que representam, a saber, o corpo e o sangue de Cristo; porém em substância e natureza conservam-se verdadeira e somente pão e vinho, como eram antes.
Mt.26:26-28; I Co.11:26-28.


VII. Os que comungam dignamente, participando exteriormente dos elementos visíveis deste sacramento, também recebem intimamente, pela fé, a Cristo Crucificado e todos os benefícios da sua morte, e nele se alimentam, não carnal ou corporalmente, mas real, verdadeira e espiritualmente, não estando o corpo e o sangue de Cristo, corporal ou carnalmente nos elementos pão e vinho, nem com eles ou sob eles, mas espiritual e realmente presentes à fé dos crentes nessa ordenança, como estão os próprios elementos aos seus sentidos corporais.
I Co.11:28; I Co.10:16.


A real compreensão da nossa fé nos permite usufruir de todos os benefícios que recebemos ao tomarmos do corpo e do sangue de Cristo, os quais recebemos espiritualmente pela fé e por obra do Espírito Santo.

Este foi um dos assuntos que mais gerou polêmica durante a Reforma Protestante, e que impediu uma maior aproximação de Lutero e Zwinglio. Hoje muitos compartilham da crença calvinista da presença espiritual, mas talvez nos falte compreensão dela e de seus benefícios concedidos a nós. É por essa razão que o Consistório de Genebra não permitiu a Calvino celebrar a ceia do Senhor todos os domingos, como ele desejava, mas indicou que houvesse uma pausa maior entre a celebração da ceia para que todos se preparassem para esse momento tão importante na vida da Igreja. Compreender nossa fé é essencial para declararmos a verdade a todos aqueles que ainda a desconhecem. Que não sejamos indoutos acerca da nossa fé, mas sim estudiosos dela para sermos apologistas dos ensinamentos de Jesus.


William de Almeida Santos